Bate Papo: Luiza Possi
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- Publicado em Sábado, 18 Junho 2011 19:12
- Escrito por Natasha Bin

Luiza diz que começou a compor ainda menina. Ela toca piano, compõe ao violão e se aventura nas letras, depois de ter experimentado textos que já saíam com melodia. É só dela, por exemplo, Queixo Caído, uma boa balada com pegada pop de onde saiu a frase que dá nome ao seu atual disco: Bons Ventos Sempre Chegam.
Num bate-papo descontraído, Luiza Possi nos contou um pouco de sua carreira, formação e demonstra o porquê de ser uma pessoa muito “gente boa”.
Qual sua relação com a música, que tem contato desde pequena?
Luiza: “Sempre cantei e nunca me imaginei fazendo outra coisa. Quer dizer, imaginei, mas nunca levei a idéia à frente. Quando vi, já estava cantando. Foi muito rápido. Afirmei a música na minha vida profissional. Então, eu me testava: é isso mesmo? Fui me aprofundando e vendo que sim. Criei uma relação mais íntima e descobri qual era o papel da música na minha vida.”
Acha que isso tem a ver com sua família e seu berço musical?
Luiza: “Isso ajudou, mas não foi determinante. Fica mais claro e mais forte pra mim quando eu componho. Porque aí não dá pra falar que é DNA, afinal, a música é minha, feita por mim, não é? Claro que tem influência, mas sempre há aquelas chances. Pode ser, pode não ser...”
Quais são suas influências na sua formação musical?
Luiza: “Meu pai é músico. Como ele e minha mãe são separados, sempre ouvi um estilo de cada lado. Na casa do meu pai, era James Taylor, Steve Wonder, Michael Jackson, Prince... Já minha mãe ouvia Barbara Streisand, Rita Pavone. Nunca tive preconceito com relação a algum estilo musical. Por este caminho, fui descobrindo o meu som.”
Como você se definiria?
Luiza: “Sou muito determinada, ansiosa, uma pessoa de boa índole. É muito engraçado, porque sinto um preconceito muito louco! Tudo por ser loirinha, ter olho azul e nariz empinado. As pessoas me conhecem e dizem: ‘nossa, que surpresa! Você é legal!’. Isso me choca um pouco. Então, se você pede pra eu me definir, digo: sou gente boa.”
E a sua música, como define?
Luiza: “É minha! [Risos]. É meu jeito de fazer, de pensar, de me expressar. Dizem que passeio pelo rock, MPB... Mas não é uma coisa, nem outra. A gente é tudo. O dia tem um monte de oscilações de temperatura, umidade, humor... Por que a gente não? Por que a música não? Não tem que ser de um jeito só.”
Como é sua relação com o palco?
Luiza: “Ele é meu habitat natural, onde eu me sinto completa, segura, desafiada. Eu decidi cantar quando ganhei um concurso para abrir o show dos Paralamas do Sucesso no Credicard Hall. Eu tinha 15 anos e cantei para 11 mil pessoas. Fiquei tão calma... O pessoal da minha banda me perguntava se eu estava nervosa. Não acreditavam que estivesse calma. Então resolvi que era ali mesmo que eu ia ficar.”
E como você lida com o assédio em cima de você?
Luiza: “Tranquilo. Minha meta é ter sempre bom humor. Moro perto da praia no Rio de Janeiro (RJ). É muito chato. Minha amiga diz: “Não aguento mais ver sua bunda nos sites” e é verdade. Às vezes quero dar um mergulho e fico inibida. Muitas vezes cheguei à porta de casa e resolvi não sair, porque não queria passar por isso. Há um tempo estive na Califórnia e me esqueci de levar biquíni, mas não quis comprar aqueles horrorosos de americano. Foi genial, porque eu ia à praia com shortinho velho e um sutiã parecido com um top. Adorei fazer isso. É bom se dar esse tipo de liberdade e não se cobrar tanto.”
E como é sua relação com os fãs?
Luiza: “A internet possibilita ficar perto das pessoas. Não os chamo de fãs, nem eles se chamam. O bacana é que não preciso de um interlocutor nesse meio. O Twitter me possibilita isso porque é muito dinâmico, muito rápido. A primeira vez que eu mandei um oi, começaram a chegar as replys e eu achei muito legal! Eles respondem e, aí, você vê onde tem eco o seu trabalho”.
Ficou com curiosidade de conhecer mais sobre o trabalho da Luiza? Passe em nosso canal no YouTube e aproveite para acessar o Site e o Twitter da cantora.
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fotos: Rodrigo Bassan
Nossa Musa no Lingerie Day
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- Publicado em Sábado, 18 Junho 2011 19:12
- Escrito por Rodrigo Bassan
De Bauru para o mundo! Conheça um pouco da belíssima Arianni Milano, nossa musa do #LingerieDay, que tem se destacado na mídia nacional.
Fernanda Takai
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- Publicado em Domingo, 25 Abril 2010 14:21
- Escrito por Joana Correa

Durante a passagem de Fernanda Takai por Bauru, no início do ano, a equipe da Tag bateu um papo com a vocalista da banda Pato Fu. A cantora, que na ocasião apresentava seu disco solo “Luz Negra”, comentou sobre sua carreira e também um pouquinho sobre sua vida pessoal.
Você canta, compõe e escreve. Além de colaborar em dois grandes jornais, você também lançou um livro com crônicas e contos. Qual é a sua relação com as letras? Como é a Fernanda Takai escritora?
É até surpreendente pra mim. Tem quase cinco anos que eu escrevo nessas colunas; na música geralmente o que eu faço não são as letras, e sim a melodia e harmonia. Quem cuida mais das letras é o John. Eu sempre gostei de ler e, durante a minha carreira, fui convidada a escrever alguns textos. Era coisa de três em três meses, e hoje escrevo toda semana e tenho essa disciplina de escrever com regularidade. Isso me fez escrever cada vez mais e com mais naturalidade. Eu acho que na minha profissão, como cantora, ser uma boa leitora e estar atenta a outras artes, ao cinema e teatro, sempre me ajuda e é material para criação. Para quem escreve ou fala bastante, ser um bom leitor é fundamental.
O John está sempre com você, seja no Pato Fu, seja na carreira solo. Conta pra gente essa relação de marido, parceiro, companheiro?
Faz 17 anos que estamos juntos, então não sei como é ter um marido de outro jeito. Marido que sai de casa e volta ou que tenha rotina diferente. A gente de alguma forma encontrou um jeito muito produtivo de trabalhar. Fizemos tantas coisas juntos, até uma filhinha (risos). São vários discos, DVDs e vários projetos musicais, mas temos também essa nossa família que tem um objetivo comum e que tem um temperamento muito diferente enquanto família. Isso ajuda no equilíbrio e nessa vontade de trabalhar e procurar um no outro o que está faltando. O John é uma pessoa muito boa de lidar, é ponderado, então é muito difícil discutir com ele. Nem eu, como sua mulher, nem alguém que trabalha com ele em produção musical ou no escritório. É um cara que te escuta muito e que, em um momento mais tenso, prefere parar de discutir e retomar outro dia. Acho que isso ajuda (risos).
O repertório do CD/DVD está cheio de grandes nomes da música, como Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Caetano, Gilberto Gil, Roberto Carlos. Como você escolheu esse repertório? Como é para você cantar essas composições?
A idéia do disco, inicialmente, foi de Nelson Motta. Eu não pensava em fazer um disco exatamente dedicado à Nara (Leão). Eu não pensava nem em fazer um disco solo enquanto o Pato Fu ainda existisse. Ele me disse que havia uma semelhança entre o meu jeito de cantar e o dela; e ele nem sabia que ela era uma das minhas três cantoras favoritas (são elas: Rita Lee, Clara Nunes e Nara Leão). Então eu comecei a achar que seria uma boa idéia, por muita gente aqui no Brasil não me conhecer como intérprete. Conhecem muito do meu trabalho autoral, as músicas que eu ou o John escrevemos, mas não conhecem a minha voz cantando um repertório diferente. Foi o que este disco trouxe. Um repertório diferente do que eu costumo cantar, mas não diferente do que eu costumo ouvir.
A seleção nós fizemos juntos. Ele me mandou uma lista grande das coisas que ele gostava da Nara e que achava que tinha a ver. Eu fiz a minha própria lista. Dentro das duas havia muita coisa em comum que entraram, e outras eu mesma escolhi por pura empatia como ouvinte. Tentei mostrar um pouquinho de cada fase dela, mas o mais importante era eu gostar das músicas que iria cantar. Foi uma intuição do Nelson, coisa que ele tem muito, de enxergar um negócio que parece tão óbvio pra todo mundo, mas ele viu primeiro. Agradeço muito a ele essa iniciativa de ter me mandado um e-mail. Começamos a trabalhar pela internet e o disco foi sendo feito pouco a pouco até que saiu e teve uma repercussão muito grande.
Carreira solo X Pato Fu. Qual é a diferença da Fernanda solo e da Fernanda vocalista do Pato Fu? Como você leva os dois?
No Pato Fu eu tenho um papel um pouco diferente porque eu toco guitarra, violão e divido com o John esse comando do espetáculo. No meu show solo eu não toco nada e canto músicas de outras pessoas, então tenho um compromisso até maior. Quando eu estou no meu show cantando minhas músicas, se mudo um pedaço da letra ou se esqueço, é uma coisa que é minha mesmo. Mas cantando essas que todo mundo conhece, tem que ter uma concentração maior, uma excelência. Eu fico muito mais concentrada no cantar e em conduzir o show.
Nesse show o fundamental são as músicas, claro, mas tem um momento de conversa com a plateia, de contar um pouquinho da historinha de cada música. No Pato Fu eu faço isso um pouco, mas não tanto quanto faço no solo. Tem gente que fala que é quase um Stand Up Comedy porque faço muita piada! Eu acho legal, pois aproxima as pessoas e essa conversa deixa tudo mais gostoso.
E como você concilia os dois projetos e a família? Você ainda tem a filhinha para cuidar.
É corrido! Tem que ter muita disciplina e muita organização. O John fala que não sou muito organizada, mas eu, dentro da minha bagunça, sei sempre onde está tudo! Tenho muito cuidado com o cronograma das coisas. Nesse ponto, se eu aceito um compromisso e tenho outros marcados durante o dia, me esforço muito para cumpri-los e não furar com ninguém. Sempre fui assim, desde criança.
Depois que fui mãe - e a maternidade te espanta com o monte de coisas que temos que fazer, como as novas responsabilidades e horários - quando não estou viajando geralmente eu faço tudo: levo e busco na escola, cuido do almoço, sou mãe mesmo em tempo integral. Acordo mais cedo e vou dormir mais tarde! Tem épocas da carreira artística que a gente fica muito em casa, viaja menos. Ou quando estamos num período de composição. Então, quando penso que está corrido, sei que daqui a pouco vai ficar mais tranquilo e que posso aproveitar esse outro lado de dona de casa que tenho. E eu gosto! Viajei muito durante estes dois últimos anos, mas estando em casa é um papel que faço e com alegria!
Você gosta bastante de viajar. Já veio para Bauru antes... lembra de alguma coisa daqui, que conheceu, gostou, não gostou?
Em uma das primeiras vezes que viemos para cá fomos convidados a comer o bauru, né (risos). E no mesmo dia nós fizemos uma corrida de Kart. Já viu... comer bauru e depois andar de kart. Naquela época a gente era jovem e podia fazer isso! É uma cidade que eu não venho todo ano, mas quando o Pato Fu vem é sempre muito bem recebido, o público muito caloroso. Ficamos até contentes de termos marcado o show aqui, pois queria muito mostrar esse novo show na cidade, para o público que me acompanha há tempo e para o público novo que apareceu justamente com esse repertório.
Por falar em comida, é uma coisa que te atrai, não?
Gosto bastante! De vez em quando escrevo até uns textos sobre comida ou episódios que envolvem assuntos de restaurante. Com essa coisa de viajar bastante, pelo menos tempo pra comer você tem que arranjar, né! E aí eu acabo conhecendo vários restaurantes, comidas típicas de cada lugar...
Ainda assim você não abandona esse lado multimídia e de escrever no blog...
O Pato Fu tem página desde 96. Então a gente já tem uma tradição de ser uma banda de fácil contato. Por mais que tenha muito trabalho, se eu fechasse essa porta iria soar muito estranho pra as pessoas que me acompanham há muito tempo e mesmo para esse público novo. Gosto de manter o site atualizado e contar o que estou fazendo. As pessoas me mandam recados e eu respondo.
Não tenho essa coisa do twitter de ficar mandando toda hora o que estou fazendo. Tenho até um twitter que fiz porque havia um falso, mas meu lugar de contato com as pessoas é meu site, o blog, que tem toda minha agenda, tem as coisas que vão sair, comentários sobre as coisas que fiz. É uma forma bem interessante das pessoas me conhecerem melhor e saberem o que estou fazendo.
E livro, pretende escrever mais algum?
Meu primeiro livro foi uma coletânea de
Conta pra gente então sobre seus planos futuros: carreira solo? Pato Fu?
Esse meu disco, Luz Negra, foi lançado em julho (2009) e a gente deve finalizar essa turnê até julho deste ano. Esse trabalho é um desdobramento de “Onde Brilhem os Olhos Seus” que foi lançado no final de 2007. Já estamos em 2010 e estou ainda viajando com esse disco. O país é grande e tem algumas cidades que ainda não fui. Não só no interior como em capitais do norte que farei até o meio do ano.
O Pato Fu começa a gravar um disco novo ainda neste semestre. Vai ser um disco diferente. Não como o “MTV Ao Vivo” (2002) que eram 10 anos de Pato Fu. Por acaso é o décimo álbum da carreira, mas não vai ser acústico. Vai ter uma característica diferente, bem divertida...
E, para finalizar, você pode adiantar alguma coisa pra gente?
Não, não! É super segredo! (risos)
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DJ Aline Rocha
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- Publicado em Sexta, 23 Outubro 2009 18:10
- Escrito por Rodrigo Bassan

Você é DJ revelação da cena eletrônica no interior paulista, além de redatora, fotógrafa, editora de imagens e publicitária. Você tem tempo pra tudo isso? Dá para conciliar tudo?
E quando você realmente percebeu que a música era a sua praia? Como começou a tocar?
Você tem alguma preferência dentro do estilo de música que você toca?
Como é a dinâmica do mercado de música eletrônica? Existem várias portas ou é um mercado para poucos?
Você se destaca principalmente no interior de São Paulo, mas já tocou em várias regiões do Brasil. Tem diferenças muito grandes de gosto entre lugares diferentes?
Nós te conhecemos em um chat que o Cambota – vocalista do Pedra Letícia - fez com amigos e fãs e vimos que você costuma fazer alguns também. Como é sua relação com os fãs? Eles te acompanham pela internet também?
Recentemente você criou um blog novo e começou fazendo um balanço sobre sua vida, falando de amigos, família, amor... Como que é para você escrever?
Já aconteceu alguma situação engraçada com você nesse tempo que você é DJ?
Depois de algumas reflexões e balanços, você se considera uma pessoa realizada? Você tem algum objetivo (ou sonho) que ainda não realizou?
Tag.Perfil
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- Publicado em Segunda, 15 Junho 2009 12:44
- Escrito por Rodrigo Bassan
Pedra Letícia: “uma bosta diferente”
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- Publicado em Domingo, 14 Junho 2009 21:00
- Escrito por Natasha Bin
Um bate papo divertido e sem pudor com uma banda que é irreverência no rock nacional.
TAG: O surgimento da banda tem uma relação com Bauru. Conta essa história pra gente.
Fabiano Cambota: A banda, na verdade, começou aqui com a ideia de uma mistura de galera que era de D.I. (Desenho industrial), Biologia, e eu que fazia Rádio. A gente fez só um show na Unesp. Era um projeto de banda com vocal, mas tinha um quê de bom humor. Aí eu mudei, fui morar fora. Quando eu voltei, eu mantive essa ideia do Pedra Letícia com um desses integrantes. Começamos a fazer bastantes shows, só que ele morava em Americana, eu morava em Goiânia, aí acabou ficando meio distante a ideia. Depois que a gente parou de tocar junto eu ainda tinha uns compromissos para cumprir em Goiânia com o nome Pedra Letícia, aí eu chamei o Fabianinho (Fabiano Áquila - baixista) pra me ajudar. A gente fez três shows, e a gente viu que estava muito bacana. Aí fomos procurar bar para tocar. O primeiro bar que a gente tocou foi o bar do Thiago (Sestini - percursionista), aí ele começou a dar canja, até o dia em que entrou para a banda.
TAG: E o nome da banda? Tem algum significado?
C: Essa semana a gente ganhou um alvará para contar o nome. A gente conheceu o Didi e o Dedé, dos Trapalhões, e na verdade o nome tem a ver com eles. Só que o nome não tem um significado, ele não é engraçado. É uma brincadeira que o Didi fazia com uma música do João Bosco, antigamente. Ele falava minha pedra Letícia, e a música era minha pedra ametista. Virou o nome da banda à toa, e é complicado porque a gente é obrigado a dar uma explicação meio lógica, ou pelo menos interessante, e não tem!
TAG: Vocês brincam muito com a ideia do brega. Como que é a relação de vocês com o brega?
C: O Brega é um conceito abstrato. Eu, particularmente, acho brega umas coisas muito diferentes do que as pessoas estão acostumadas a chamar de brega. Eu acho brega uma coisa que costuma ser pretensiosa. Essa galera que faz uma música chamada de brega, como Odair José, Reginaldo Rossi: existe uma certa preguiça nossa em entender o que esse pessoal é. Esses caras são inteligentíssimos! O conceito de brega é meio complicado. Fazer música para o povão é um negócio que a gente aprendeu com o Reginaldo Rossi. Ser elitista, ou quanto você é pretensamente muito cabeça você é elitista, e aí você é um escroto. Você é limitado, está sacaneando o povo. Não é culpa sua que a educação do Brasil é uma merda. Não faça música só para quem esta a fim de ouvir música cabeça, entenda que você consegue falar com o povão sem ser idiota. É um pouco de pretensão nossa a gente se chamar de brega; é a gente achar que é melhor do que aquilo (Reginaldo Rossi, Odair José).
TAG: Além do brega, quais as influências de vocês?
Fabiano Áquila: Eu vim de uma escola mais rock, eu gosto do rock anos 70. Led Zeppelin, Van Halen, Aerosmith.
Thiago Sestini: Eu escuto muito samba rock, Jorge Ben Jor, Funk como Le Gusta, essas coisas mais swingadas. E rock anos setenta também.
C: Rock setentista é uma coisa que todo mundo na banda escuta, é um negócio unânime. Eu escuto música muito antiga. Era do rádio é um negócio que eu adoro, Nelson Gonçalves. Em comum também, já juntando para essa coisa do humor, tem o rock dos anos 80. Uma influência geral da banda é o rock dos anos 80, que era uma coisa muito bem humorada. O rock de hoje talvez ficou um pouco preso à seriedade, ele esta sério demais. Já o rock dos anos 80 não tinha muito compromisso.
TAG: A mídia vem comparando vocês com os Mamonas Assassinas. O que vocês acham dessa comparação?
C: Eu acho meio superficial, mas eu entendo. Qualquer pessoa que vier fazendo um rock bem humorado vai ser comparado com Mamonas, ao invés de ser comparada com Raul, por exemplo, que é super bem humorado. É a referência mais imediata. E outra coisa, os caras simplesmente desapareceram e deixaram uma lacuna, e as pessoas acham que a qualquer momento vai chegar alguém para substituir. É um certo mal, que não é de todo mal por que a gente também escutou Mamonas, é uma influência. Eu já percebi que quando as pessoas não gostam da banda, e elas querem ofender elas falam “essa imitação vagabunda de Mamonas”. Nós somos vagabundos, a banda é uma bosta, mas nós não somos imitação de Mamonas. A gente é outro tipo de bosta. É uma bosta diferente.
TAG: E Raul? Também faz parte da influência de vocês? Como surgiu essa brincadeira de “eu não toco Raul”?
C: Raul é uma influência da banda. Todo mundo tem uma fase Raul, principalmente no primeiro ano de faculdade. Todo mundo tem uma camiseta do Che. É engraçado porque Raul é um cara extremamente bem humorado, aí só porque a gente escreveu a música falam “vocês estão negando Raul”. A gente não fala mal de Raul em momento nenhum da música. Adoro Raul. A música é uma brincadeira, ela foi feita para o fã fanático chato xiita, aquele que fica gritando “toca Raul”. Hoje essa música é uma homenagem; em nenhum show do Brasil se escuta tanto “toca Raul” quanto o nosso. Teve um problema na gravação do CD que a gente teve uma frase que a gente não pode levar ao CD, que era “essa idolatria do Raul parece aquela velha opinião formada sobre tudo”. Como usava um trecho da música do Raul a gente não teve autorização. Eu acredito sinceramente que se as pessoas ligadas ao Raul tivessem noção de como funciona o nosso show, de como no nosso show o Raul é lembrado como em nenhum outro show de rock no Brasil, mudariam de ideia e deixariam a gente gravar livremente. É “homenagioso”.
TAG: Se o Raul estivesse vivo qual vocês acham que seria a opinião dele?
F: Ele iria querer gravar com a gente!
C: Eu tenho certeza que ele iria curtir; porque ele é bem humorado. Ele ia dar muita risada. Eu vou traçar um paralelo coma nossa música “Caminhoneta Zera”, que é uma música que brinca com o sertanejo. A gente vai gravar um DVD, e a maioria das duplas já toparam fazer uma participação no DVD cantando a parte do sertanejo. A música vai de encontro com o que os caras fazem, só que eles sabem que é uma brincadeira.
TAG: O grande diferencial de vocês é que vocês são divertidos, criativos. De onde vem essa irreverência?
T: Da falta do que fazer! Da incompetência para ser sério, aí a gente acaba escrachando.
C: Da incompetência para trabalhar. Esse negócio é engraçado, tem um ponto que a gente é muito parecido, os três. Nós somos muito mais interessantes no palco do que fora dele, porque em cima do palco a gente consegue se expressar muito melhor. Fora do palco nós somos tímidos, tranqüilos, caseiros.
F: A gente não é piadista cem por cento do tempo.
T: O que ajuda muito no humor e no contexto da banda são as viagens pra shows, a gente viaja num clima muito bom!
C: Como a gente se conhece muito é piada o tempo inteiro. Todo mundo zoa com a cara de todo mundo, e aí a maioria das músicas surgem nessas brincadeiras. O Carlão, da música “Teorema de Carlão” é nosso holdie. Eu não acho que as letras sejam engraçadas, eu acho que é uma visão bem humorada das coisas.
TAG: A banda foi um fenômeno do youtube. Como vocês vêem essa relação da música com a internet?
C: Começou há mais ou menos dois anos e meio no youtube com “Como você pode abandonar eu?”, e o vídeo era bem visualizado e a gente não tinha muita dimensão de onde ia dar isso. Continuamos tocando da nossa forma, aí surgiu mais um vídeo, um vídeo puxou o outro e se tornou uma coisa bacana. Internet é um negócio que a gente ainda não tem noção do que ela é capaz. A cada dia ela se populariza e se democratiza mais e você tem capacidade de colocar um vídeo na internet, uma música e ela virar um hit sem que para isso você precise que ela toque no rádio, apareça na televisão ou seja bancada por uma gravadora. Internet tem uma vantagem, ela é um meio ativo, é o cara que vai atrás da música, não é a música que chega até ele. E isso gera uma certa fidelização. Um mostra pro outro e por aí vai. É um meio mais sincero. Além disso, a gente começou a perceber um fenômeno nas comunidades universitárias, por exemplo: como a música é simples o cara curte e reproduz. Toca em república, churrasco. Cidades universitárias foram as primeiras cidades em que nós começamos a fazer shows grandes. A sala de aula é um meio propagador, aí tem festa de república, churrasco, porque, como a maioria da galera está longe de casa, então o pessoal se reúne muito. São fatores sociológicos que influem na maneira com que as pessoas escutam música e começam a difundir isso.
TAG: E por que demorou tanto para vocês virem pra Bauru, que é uma cidade universitária?
C: Eu não sei, mas acho que a gente não poderia ter escolhido hora melhor pra vir. A gente está muito feliz, a gente está num momento da banda muito bom, todo mundo muito próximo. O nosso trabalho está no começo. O meio musical é de ralação, não é de ilusão, ele é de trabalho. A gente pôs isso na cabeça há um tempo e desde então a gente vive muito bem com isso. A gente aproveita muito, as viagens são muito boas, a gente gosta de estar juntos, fazer shows. É um tesão. A gente aparece numa cidade que a gente nunca viu na vida, chega lá tem uma galera cantando a música que você escreveu lá no quarto, depois mostrou para os amigos, tocou num buteco... Tudo isso é muito emocionante, e a gente vai curtindo cada momento. Não tinha um outro momento melhor para vir a Bauru. Nessa semana eu volto a Bauru depois de um tempão... ralei tanto nessa cidade... passei cinco anos aqui.
TAG: Tem alguma coisa daqui de Bauru que você sente falta?
C: Tem uma coisa específica que eu sinto falta que é a galera. Ter uma galera. O pessoal é muito junto. Eu não tenho galera hoje
F: e T: Valeu, vamos embora e largar ele aí com a galera dele!. [risos]
C: Na verdade, a gente tem a turma da banda, a gente viaja muito, é muito clima de excursão. Colônia de férias Pedra Letícia. Só que é diferente. Eu sinto falta das baladas. Minha última época de balada foi em Bauru. Depois eu nunca mais fui para a balada.
T: Também já não está na idade mais! Já está ridículo! (risos)
C: Eu adoro aqui. Você volta com a sensação de missão cumprida. Estou realizado.
E entre lembranças e risadas, a galera do Pedra Letícia tem que voltar ao trabalho... Júnior, o produtor da banda, interrompe o papo saudosista : “Eu sei que você está aí num momento meio nostálgico, mas tem que continuar”. E a banda volta ao palco, para acertar os últimos detalhes do show da noite.
C: Eu estou muito feliz de estar aqui”.
Com certeza, Bauru também ficou muito feliz de receber a banda!
Fotos do Show do Pedra Letícia em Bauru!
Reportagem: Natasha Bin
Fotos: Rodrigo Bassan



