Todo mundo quer sambar!

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“Não deixa o samba morrer, não deixa o samba acabar. O morro foi feito de samba, de samba para gente sambar”

por Barbára Bressan Belan e Lívia Neves

Há pouco tempo atrás o samba era visto de forma pejorativa e era cantado apenas pela população de classe mais baixa, dos morros e periferias. Hoje encontramos o samba em todos os lugares inclusive em bares e clubes de classe média alta. Os jovens que antes escutavam apenas rock’n’roll e outros ritmos estrangeiros também aderiram ao ritmo nacional e hoje são adeptos do samba nas suas diversas variações.

A nova temática das letras de samba possibilitou que um novo público aderisse ao ritmo. As músicas que antes serviam para denunciar a situação dos negros, criticando os problemas sociais e também tratando do amor de forma mais idealizada, agora surgem com uma diluição dessa antiga temática e se voltam para o mundo mercadológico. Assim alcançam maior parcela da população.

As tradições se mantêm, mas o samba está se adequando com a nova modelagem social. Os grupos de pagode universitário estão dando uma nova cara ao samba tradicional, mas também continuam a cantar as clássicas e famosas letras, fazendo a conservação das raízes.

A origem desse gênero musical tão importante para o nosso país é um tanto confusa e polêmica: para alguns, ele vem de uma dança africana semelhante ao batuque, enquanto para outros a palavra samba vem de semba, também africano e popularmente conhecido como umbigada. O certo é que a primeira menção de que se tem notícia à palavra “samba” ocorreu em 1838 em um jornal satírico de Pernambuco, “O Carapuceiro”, e não tinha o mesmo sentido que a palavra tem hoje. O termo fazia referência a um folguedo de origem africana.

A modernização do samba se deu a partir dos anos 1930, quando ele se tornou tematicamente mais urbano e ganhou rimas mais ricas e uma cadência mais acelerada. O grande nome dessa virada foi, com certeza, Noel Rosa. Esse carioca, nascido numa família de classe média em Vila Isabel, fez a ponte entre a cidade e o morro, trazendo sambas mais parecidos com o que temos hoje, sem aquele ritmo amaxixado.

O sucesso de Noel veio em 1930 com o samba “Com que roupa?”, que comenta a miséria. A música foi criticada e acusada de plágio, pois os três primeiros compassos (“Agora vou mudar minha conduta”) são parecidos aos do Hino nacional (“Ouviram do Ipiranga às margens plácidas”). Passados mais de 70 anos, muitos acreditam que não houve nem coincidência nem plágio, mas sim intenção de paródia, já que a letra carrega muitas criticas econômicas.

Ganhando popularidade

As variações do samba também invadiram o espaço dos jovens universitários. Mesmo sendo divulgadas em diferentes formas ainda há a presença e a identificação com o ritmo raiz. Conversamos com nove jovens, que afirmaram gostar de samba, para saber como está a popularidade deste gênero no mundo em que eles vivem. A preferência se deu pelo pagode e samba rock, duas vertentes mais modernas, que são tocadas em bares freqüentados pelos estudantes.

Apenas três dos jovens entrevistados declararam que começaram a escutar o gênero por influência familiar. “Meu pai tem o costume de ouvir e cantar samba no carro. Desde pequena acompanhava ele em suas cantorias quando ia visitá-lo no Rio de Janeiro” disse Patrícia Oliveira, 19 anos.

Por outro lado, a maioria dos jovens entrevistados diz ter sido influenciada pelas mídias e também pela turma de amigos. “Aprendi a gostar de pagode quando o pagode universitário entrou na moda, a galera entrou na onda e eu entrei junto” disse Letícia Greco, 21 anos.

Vale lembrar que grande parte das festas das universidades toca música eletrônica e sertaneja, sem deixar de lado o samba. Em algumas destas festas até mesmo certos grupos desconhecidos tocam diversos tipos de samba inclusive o samba de raiz ao vivo para os estudantes.

A moda é samba no bar!

A aderência ao samba está sendo visível principalmente em bares. Cada vez mais esse tipo de estabelecimento recebe grupos de sambistas para animar e embalar o ambiente.

O bar “Biri” da cidade de Bauru também entrou nessa onda. O gerente do Bar, Márcio Azevedo, afirmou que sempre contrata grupos de samba, pagode e choro porque os clientes gostam e aprovam. Ele revela que mesmo quando não há nenhuma atração artística, a clientela pede que se ponha dvd’s desse tipo de música, com cantores como: Arlindo Cruz, Zeca Pagodinho e Exaltasamba.

“Comecei a trazer o samba, pois aos domingos servíamos feijoada com samba. Um dia veio um grupo de chorinho que fez sucesso, daí a idéia de ser definitivo” declara Márcio. O gerente também comentou que a maior parte de seus clientes são estudantes, pois muitos grupos universitários costumam tocar no bar, o que faz com que seus fãs e amigos freqüentem o ambiente.

Com a maior divulgação do samba em bares e outros tipos de estabelecimento, o ritmo vem ganhando mais adeptos e uma grande proporção, acarretando maior valorização da música brasileira. O Samba é nosso!

CASUARINA

CasuarinaCriado em novembro de 2001, o CASUARINA é um dos principais grupos da nova cena carioca de samba. Composto por Daniel Montes (violão 7 cordas), Gabriel Azevedo (percussão e voz), João Cavalcanti (percussão e voz), João Fernando (bandolim e vocais) e Rafael Freire (cavaquinho e vocais).

O grupo, que colocou na órbita do samba a juventude carioca, ganha seu primeiro registro em vídeo (DVD e Blu-Ray) e terceiro em CD:  o “MTV apresenta:   CASUARINA” (Superlativa / Sony Music). Gravado na Fundição Progresso – Rio de Janeiro, o trabalho conta com participações de MOSKA, ROBERTO SILVA, FREJAT, WILSON MOREIRA e MOINHO. O show traduz o conceito da famosa roda de samba promovida pelo quinteto com seus convidados durante três  anos nesse mesmo palco, projeto que transformou de vez o CASUARINA num dos  principais  expoentes nacionais da nova geração sambista. “MTV apresenta: Casuarina” é a estreia do samba e do selo MTV em formato Blu-Ray no Brasil.

Com produção musical de Rodrigo Campello, o DVD/Blu-Ray traz 23 sambas, destes três autorais. O repertório passeia por clássicos e joias garimpadas pelo grupo como as que marcaram o  disco de estreia, “Casuarina” (Biscoito Fino), em 2005.

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Dois pra lá, dois pra cá

Do salão
para as pistas,
confira as novas
tendências da dança

Do salão para as pistas,confira as novas tendências da dança.

Quem nunca negou ou ficou sem graça ao ouvir a seguinte frase: “me concede a honra desta dança?”? Pois é, já está na hora de começar a dizer sim, não? A dança é uma expressão cultural, e segue diversos estilos e tendências. Em seu modo clássico, encontramos diferentes tipos de valsas e tango. Mas a dança pode ir muito além disso.

No mapa

Em Bauru e na maior parte do interior do estado, o ritmo mais procurado é o forró, nos estilos sertanejo e universitário, mas o samba e o bolero também marcam presença nos bailes e serestas da região.  Já na capital do estado, a vez é dos ritmos latinos. A salsa e o zouk saíram das academias de dança e invadiram as pistas das casas noturnas da grande São Paulo. Para a professora de dança Edilene Marques de Jesus, a tendência da dança varia de acordo com a região, mas uma característica é única: a dança é instrumento de socialização.

Quem dança

A dança ainda é vista como uma prática feminina, envolvendo principalmente mulheres entre 30 e 40 anos. Na academia da professora Edilene, por exemplo, a proporção é de três mulheres para cada homem. “Quando a gente vê um homem que é bom de dança a gente convida para entrar em treinamento e ser monitor, justamente pela falta de homens”, conta a dançarina. Mas outros públicos também se aventuram pelas pistas.

É o caso da estudante Bianca Camargo, 22 anos. Ela e o namorado tinham em comum a vontade de aprender tango, e por isso matricularam-se em um curso de dança de salão. “Uma das coisas boas da dança de salão é que aproxima muito o casal. Não sei como seria tão gostoso fazer com outra pessoa; estar com alguém íntimo facilita a evolução. Eu recomendo pra qualquer idade! É revigorante”.

Apesar do gosto peculiar do casal, segundo a professora Edilene, homens e jovens procuram o forró como ritmo para se exercitarem. “Tenho alunos que não fazem academia de ginástica e preferem a dança como prática esportiva”. Em uma hora de forró, por exemplo, você pode perder cerca de 200 calorias.

Sempre atual

Thumbnail imagePor ser uma manifestação popular, a dança sofre influências de diferentes culturas. O tango veio da Argentina, o bolero da Espanha, e o samba é de raiz africana, mas surgiu no Brasil. Independente das origens, cada indi-víduo incorpora a dança da sua maneira. E é baseado nessa diferença entre estilos que surgem as novas maneiras de se dançar. “A dança é infinita, existem infinitos jeitos e formas de fazer movimentos”, diz Edilene.

Seja para queimar calorias, para socializar ou mesmo para se divertir, a dança é uma ótima opção. Mas se dança de salão não é o seu forte, não fique fora do compasso. A Revista Tag destaca para você três das novas tendências da dança contemporânea.

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fotos: Marcus Silva

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A seção Tag.Cultural da Revista trás até você o que rola de entretenimento e diversão na cidade. Na Edição #1 da Tag o comediante e "cara de pau" Fabio Porchat nos conta um pouco sobre o Stand Up Comedy.
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